Audiência pública a favor do cerrado

chapada

Nesta quinta-feira (14/05) foi realizado, a pedido do Deputado Augusto Carvalho, Audiência Pública para discutir o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto e Chapada dos Veadeiros.O Plano foi apresentado pelo Centro Tecnológico de Engenharia (CTE), contratada pela secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás, em 2014, e que passará pelo Conselho Consultivo que integra a estrutura organizacional da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Estado de Goiás.

Segundo Marcus Saboya, que participa da Rede Integração Verde e que é Conselheiro da APA de Pouso Alto, a realidade do conselho é outra, pois foi formado para beneficiar os agricultores. “Nós temos um conselho que prevê 30 cadeiras, destas, temos apenas 20 ocupadas, 15 são diretamente comprometidas com a agricultura,  duas são ambientalistas e três que se animam com os interesses ambientais quando convêm com suas propostas”.

Saboya, ainda diz que este assunto não deve ser tratado como uma questão regional e que todo país deve ser informado do que está acontecendo na Chapada, pois o Cerrado é responsável por uma média de 75% da vazão de águas das principais bacias do país e, na zona de maior sensibilidade, o Plano de Manejo permite o desmatamento, sem prévio estudo, de 100 hectares, e ainda lembra que atualmente o permitido é de 30 hectares.

“Quando a gente fala da Chapada dos Veadeiros e APA de Pouso Alto a gente não está falando apenas de uma questão regional, nós estamos lutando por todo território nacional. A gente tá tratando do assunto CERRADO, um bioma que está ameaçado de extinção, por alguns pesquisadores anunciado até como extinção eminente. A gente não acredita nisso, e luta porque acredita que esse quadro pode ser revertido”, diz Saboya.

De acordo com a Chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Carla Guaitanele , o Plano da Área de Proteção Ambiental deverá apresentar limites, se não, poderá afetar o Parque Nacional, pois a Área Ambiental que abriga o Parque, já apresenta certo grau de ocupação humana e apresenta atividades de monoculturas, pulverização aérea, pecuária e a plantação de soja chegou ano passado na área.

“O parque que já teve três reduções de limites, foi considerado como sitio do patrimônio natural mundial. Pouquíssimos lugares no planeta tem esse titulo, cedido pela UNESCO, e é um reconhecimento mundial pela sua importância ecológica. Esse titulo tá ameaçado pela grau de ameaça pela Chapada dos Veadeiros. Nós precisamos ampliar o parque nacional e de ter uma gestão integrada com o Estado”, diz Carla.

O Deputado Augusto Carvalho, que acompanhou toda a Audiência, disse que já deveriam ter criado um Plano de Manejo sério, desde que foi criada a APA em 2001, mas o plano foi sendo relegado. “Os fatos vão sendo consumados, e aí, o agronegócio se instalando, as pulverizações de agrotóxicos acontecendo, o desmatamento, enfim, a depredação, e se não bastasse os recado da natureza que têm sido dados ao longo dessas últimas décadas: secas extremas, inundações,  as mudanças climáticas…”

O Servidor Público, Alexandre Occyoli, que acompanhava a Audiência e que participa do Bloco Cachoeira, diz que é importante a sociedade brasileira desenvolver a consciência ambiental pela preservação das nascentes. “Nós estamos nos berços das águas. Temos que preservar essas nascentes que nascem no ALTO e correm até lá em baixo, pois as águas dessa região correm por todo o Brasil, por importantes bacias brasileiras, então a conservação das nascentes é uma luta do BLOCO DA CACHOEIRA, a qual, eu represento aqui nesse momento”.

Os expositores presentes eram:

Lilian Hangae, do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, representando o Ministério do Meio Ambiente; Carla Guaitanele, Chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros; Marcus Saboya, Conselheiro da APA de Pouso Alto;Fernando Ambrósio Trindade, Membro da Diretoria da Cooperativa de Agricultura Familiar;Além destes, a população também pôde se pronunciar.