Augusto Carvalho: “Panelaço – prelúdio de grandes manifestações que ocorrerão”

Deputados do governo e da oposição avaliaram o primeiro pronunciamento da presidente Dilma Rousseff neste ano, em rede nacional de rádio e TV. A presidente da República se dirigiu à Nação, no domingo (8), para tratar do Dia Internacional da Mulher, do ajuste fiscal e do escândalo na Petrobras.

Durante o pronunciamento de Dilma, houve panelaços, buzinaços e xingamentos contra a presidente da República em algumas áreas específicas de cidades brasileiras.

Para a oposição, as manifestações foram “espontâneas” e refletem a indignação de parte da população. O deputado Augusto Carvalho (SD-DF) afirmou que os protestos de domingo são um “prelúdio de grandes manifestações que ocorrerão”.

“Nós podemos ver manifesta essa indignação e irritação da população com uma crise que não foi importada de fora. É uma crise provocada por desarranjos da política interna comandada no primeiro mandato [de Dilma]”, disse Augusto Carvalho.

Para o vice-líder do governo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), Dilma conseguiu mostrar que o ajuste fiscal proposto é passageiro e mantém as conquistas do trabalhador. “De modo sereno, tranquilo e, ao mesmo tempo, objetivo, ela apontou o caminho para o Brasil retomar o desenvolvimento econômico”, afirmou. “São medidas que servem ao objetivo de criar o ambiente econômico e político para o País retomar o crescimento, que é a nossa tarefa principal.”

Já o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), entende que o pronunciamento mostra Dilma alheia à gravidade das crises econômica e política. Bueno afirmou que a presidente “consolida aquela imagem de que a campanha eleitoral foi um estelionato eleitoral”.

“Lamentavelmente, a presidente da República vem a público usando o tempo de rádio e TV de forma indevida porque, há pouco tempo, como candidata, ela disse exatamente o contrário. Depois que ganhou a eleição vem com o discurso de pedido de paciência, sabendo que aumenta juro – e foram quatro vezes após as eleições –, aumenta energia elétrica, aumenta gasolina e óleo diesel – e vai aumentar mais ainda”, disse Rubens Bueno.

Em nota, o líder da Minoria, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), disse que a fala de Dilma foi um “um discurso de ficção e um tapa na cara das pessoas de bom senso”.

Protestos

Os governistas interpretaram os protestos realizados durante o discurso da presidente no contexto da liberdade de expressão. No entanto, criticaram agressões verbais à presidente durante as manifestações.

A vice-líder do PT deputada Margarida Salomão (MG) se incomodou, sobretudo, com expressões relativas à sanção da lei que torna o feminicídio crime hediondo no País. “Exatamente ontem [domingo], Dia da Mulher, tivemos duas manifestações infames que eu venho repudiar. A primeira delas do chargista Chico Caruso, que, em um momento de infelicidade extrema, representa a presidenta da República como mulher a ser decapitada, justamente na véspera do dia em que se sanciona a lei que agrava a punição ao feminicídio”, disse a deputada.

“De outro lado, um juiz decidiu fazer uma piada, também de péssimo gosto e lamentável, dizendo que, quem sabe, a presidenta estará sancionando uma lei em benefício próprio”, afirmou Margarida Salomão.

Manifestações estão sendo articuladas para o dia 13, com o apoio do PT, na defesa de democracia, de conquistas sociais e de direitos dos trabalhadores; e para o dia 15, com o apoio de partidos de oposição, com o mote “fora Dilma”.

Continue lendo